Sangue nos olhos e consciência: “Amazônia em Chamas” do Inferno Nuclear é um disco de protesto e riffs cortantes
- Maicon Leite

- 13 de jan.
- 3 min de leitura

Sabe aquele disco que tu já sabe o vai acontecer antes mesmo de apertar o play? Quando você bate o olho na arte da capa de Márcio Aranha (Blasthrash, Sadistic Messiah, Warsickness, Cerberus Attack) para “Amazônia em Chamas”, a mensagem é muito clara: o que vem ali dentro é Thrash Metal da velha escola, com sangue nos olhos e consciência social e ecológica.
O Inferno Nuclear, banda que carrega o DNA paraense mas firmou trincheira em São Paulo, entrega aqui o sucessor de “Diante de um Holocausto” (2021) com uma evolução notável. Se o primeiro disco já mostrava serviço, esse segundo trabalho soa como uma banda que encontrou exatamente o que buscava. Embora o vocalista Wellington Freitas seja o único integrante original numa história que agora chega a duas décadas, a pegada continua a mesma. O som carrega aquele tempero brasileiro num Thrash Metal agressivo e empolgante. A proposta é simples: pense na violência rítmica do Vio-Lence ou nos riffs cortantes do Exodus do “Bonded by Blood”, mas com aquela sujeira orgânica que só o Metal sul-americano tem.
A produção de Thiago Bezerra no Madness Music Studio acertou em cheio ao deixar as guitarras "na cara", com um timbre crocante, sem soterrar o baixo de Leandro Kronnos, que também ganha o destaque necessário. A bateria de Marcos Luz é um motor contínuo, variando entre o tradicional "tupá-tupá" acelerado e quebras de ritmo que dão fôlego às músicas.
A decisão de manter as letras em português é o grande trunfo do álbum. O vocal de Wellington Freitas é rasgado, mas perfeitamente entendível. Isso faz com que faixas como "Antirracista" e "Grito de Protesto" não façam com que o ouvinte absorva as ideias do grupo na primeira audição. É aquele Thrash Metal com forte apelo social, lembrando a urgência do Punk, mas com a complexidade do Metal.
A intro com “Ritual” cria uma ambientalização perfeita, com sons noturnos da floresta em meio à dedilhados de guitarra, que abrem espaço para a "Matinta Pereira (A Feiticeira da Mata)", quando a banda sai da zona de conforto logo no início da audição do álbum. A adição de elementos regionais à música cria uma ótima atmosfera. É a identidade amazônica da banda gritando alto, uma ponte interessante entre o regionalismo e o Thrash Metal e um elemento que enriquece o álbum como um todo.
A veloz terceira faixa é uma espécie de homenagem à própria banda, que a batizou como “Inferno Nuclear”, cujo refrão meio óbvio é um convite a berrar com a banda em algum show. Aqui temos o baixo de Leandro Kronnos “na cara” e ótimos solos de Leonardo Garcia, que em determinado momento me lembrou algo do “Kill em’ All” do Metallica. Outro ponto algo é "Insensatez Humana", com a participação de Diego Nogueira (Anthares, Blasthrash) um encontro que funcionou muito bem nesta que é uma das faixas mais violentas do disco.
Em “Falsos Profetas” (ótima introdução!) o quarteto despeja críticas religiosas em meio à um som veloz e ótimo para o mosh, com algumas passagens cavalgadas e Wellington Freitas usando aqueles agudos à la Schmier (Destruction) de forma bem encaixada. A capa do single e a própria animação do single prestam uma homenagem bem sacada à capa do clássico álbum do Death, “Spiritual Healing”. No final das contas, “Amazônia em Chamas” é um disco riquíssimo, honesto, direto e que traduz perfeitamente os 20 anos de estrada da banda e que abre caminho para um aguardado próximo trabalho.
Confira o álbum do Spotify:
Assista ao vídeo de “Amazônia em Chamas”:
Assista ao lyric video de “Falsos Profetas”:









