“Return of the Reaper” trouxe o lado mais agressivo e direto do Grave Digger; confira resenha
- Maicon Leite

- 10 de jan.
- 3 min de leitura

Gravado entre fevereiro e abril de 2014 e lançado pela Napalm Records em julho do mesmo ano – e agora disponível no Brasil pela Shinigami Records -, “Return of the Reaper” é mais do que o 17º disco de estúdio do Grave Digger — é uma espécie de retorno simbólico e sonoro ao espírito mais agressivo de “The Reaper” (1993), álbum lançado em plena crise do Metal tradicional. E tal como naquela época, a banda volta aqui a priorizar peso e velocidade.
Mas é importante falarmos dos loucos, estranhos e riquíssimos anos 90. Na época, com o mercado migrando para o grunge e o alternativo, “The Reaper” surgiu como um ato de rebeldia. “Return of the Reaper” carrega essa mesma ideia. Depois de álbuns conceituais com estruturas mais complexas e épicas, o grupo optou por algo mais direto: riffs simples, faixas curtas e um som mais cru, que remete à base do Heavy Metal tradicional com Power Metal, tão típico da banda, alto que “The Grave Digger” (2001) já apresentava.
Ao longo da carreira, o Grave Digger passou por diferentes fases que ajudaram a moldar sua identidade. Nos anos 80, lançou álbuns marcados pelo Metal direto e simples, como “Heavy Metal Breakdown” (1984) e “Witch Hunter” (1985). Após uma breve pausa no fim da década, a banda retornou nos anos 90 com “The Reaper”, inaugurando uma fase mais agressiva. Entre as décadas de 90 e 2000 investiu em discos conceituais como “Tunes of War” (1996) e “Rheingold” (2003), que forjaram clássicos.
Mas, vamos ao que interessa. A introdução sombria com “Return of the Reaper”, inspirada em "Marche Funebre" de Chopin, abre caminho para faixas como “Hell Funeral”, “Tattooed Rider” e “Satan’s Host”, que apostam na fórmula clássica de riffs marcantes e refrãos fortes. “Season of the Witch” desacelera, enquanto “Nothing to Believe” surge como uma balada, funcionando bem no meio das faixas mais agressivas.
Axel Ritt fez um ótimo trabalho nas guitarras, enquanto Chris Boltendahl mantém sua voz rouca e agressiva. Do ponto de vista comercial, “Return of the Reaper” teve bom desempenho na Europa Central. Alcançou a 16ª posição na Alemanha, onde permaneceu por três semanas nas paradas. Também apareceu na Suíça (34º), Áustria (59º) e República Tcheca (65º).
No geral, é um disco muito bom, ainda que previsível em certos momentos. A estrutura funciona bem, mas pode soar pouco empolgante para quem já está habituado ao estilo da banda. Isso não compromete a proposta — pelo contrário, deixa clara a ideia de que o Grave Digger sabe exatamente onde pisa e onde quer chegar. Sinceramente, é difícil analisar de forma correta a discografia da banda, sobretudo o que foi lançado de 2010 para cá. Meus álbuns preferidos são justamente aqueles com temática mais épica ou conceituais, mas “Return of the Reaper” funciona é bem interessante.
De qualquer forma, sem pretensões de inovar, o álbum dá aquilo que os fãs esperam. Assim como em 1993, o Grave Digger apostou na própria identidade — e com “Return of the Reaper”, mostrou que ainda há espaço para esse tipo de Metal mais direto, deixando de lado o lado épico que costuma aparecer em seus trabalhos conceituais, indo direto ao ponto.
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Track list do álbum:
1. Return of the Reaper
2. Hell Funeral
3. War God
4. Tattooed Rider
5. Resurrection Day
6. Season of the Witch
7. Road Rage Killer
8. Grave Desecrator
9. Satan’s Host
10.Día de los Muertos
11.Death Smiles At All Of Us
12.Nothing To Believe
Assista ao vídeo de “Hell Funeral”:









