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Entre a precisão e o caos: Cynic e Imperial Triumphant redefinem os limites do metal em São Paulo

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    Metal no Papel
  • há 6 dias
  • 5 min de leitura

Texto: Rosano Pedro Matiussi

Fotos: Gil Oliveira - @gilpdoliveira (Heavy Metal On Line)

Na sexta-feira chuvosa do dia 16 de janeiro de 2026, a Burning House, no bairro da Barra Funda, recebeu o proeminente nome do Avant-Garde/Black Metal “Imperial Triumphant” e os gigantes do Prog Death do Cynic.


Apesar da chuva ter apertado um pouco, o público não se acanhou, ainda mais com a oportunidade de assistir o ovacionado Imperial Triumphant em sua estreia no Brasil e o retorno de um dos maiores nomes da música progressiva mundial, o Cynic, aos palcos brasileiros.


A Burning House, quente como de costume, esquentaria mais aquela noite, com as duas bandas que tocariam em seguida.


O Imperial Triumphant adentrou o palco por volta das 20:45h, pouco depois do horário previsto, que era às 20:30.

Com seu visual teatral, os mascarados foram aplaudidos pela plateia ao entrar no palco com a intro “Goldstar”, do homônimo álbum. Em seguida, emendaram “Gomorrah Nouveaux” do mesmo disco. Na primeira música, a pressão sonora era notável, apesar do som do baixo parecer saturado demais quando se sobrepunha à bateria. No mais, uma entrada triunfante (desculpem o trocadilho), para a estreia no Brasil.  



No geral, a banda dispensa introduções. Eles costumam emendar as músicas sem muito papo, o que eu gosto bastante. Apesar de terem bandas que têm uma dinâmica legal com o público, a estética e a sonoridade do Imperial não comportam muito esse tipo de coisa (apesar do baterista parecer bem animadinho pro tipo de som que eles tocam).

Depois, veio Devs Est Machina, que manteve essa vibe mais soturna e áspera. Ainda acho que o som poderia ter sido melhor mixado, mas como a estética do Imperial se beneficia um pouco da “sujeira” proporcionada por uma mix não tão clara, não acredito que tenha comprometido a experiência no geral.


Depois, o vocalista Zachary Ezrin chegou com uma garrafa de champagne, chacoalhou e jogou na galera. O cheiro de espumante infestou o local e confesso que eles pareciam se levar menos a sério do que o visual prometia. Foi uma cena bem divertida de ver e eu agradeci não ter ficado na frente pra não ter tomado o banho.


Então, emendaram um solo de baixo que honestamente achei dispensável, porque, no fim das contas, o baixista Steve Blanco se preocupou mais em bater no baixo do que tocá-lo de fato, mas nada que tenha estragado a experiência.


O som do Imperial Triumphant é conhecido por ser bem experimental, misturando elementos de Club Jazz dos anos 50/60 com algo que remete ao Post-Black, e passa pelo Death Metal. O som realmente não é linear e achei muito interessante que, dada a complexidade do som, eles não usam uma track de click ao vivo. Em vários momentos, tanto o baixista quanto o guitarrista olhavam para o batera “Kenny Grohowski” para acertarem as entradas. Hoje em dia, num cenário dominado por bandas hiper produzidas e que interpretam qualquer errinho ao vivo como o fim de suas carreiras, é muito legal ver uma banda com um som tão complexo tocar o mais orgânico possível.


As próximas foram “Chernobyl Blues” e “Hotel Sphinx” que trouxeram uma energia mais latente no show. Aparentemente são músicas um pouco mais agitadas, o que levou a galera a até moshar em alguns momentos. (O que deve ser bem difícil no meio dos compassos quebrados do som do Imperial).


Dali então veio a penúltima Industry of Misery, com direito até à um “Good Night São Paulo” vindo do vocalista Zachary Ezrin, que foi basicamente a única vez que ouvimos ele falar durante o show. Depois disso veio a matadora Swarming Opulence, que, muito provavelmente, é o som mais conhecido da banda. A energia do público evidenciava que este era o maior clássico dos caras.


Do mesmo jeito que entraram, eles saíram. Silêncio total. No geral, um show bem divertido e uma experiência pra quem curte música experimental, como é meu caso. Achei que, no geral, a mix do som deixou um pouco a desejar, ainda mais que o som é realmente muito caótico e possui muitos elementos, mas de certa forma isso agregou à estética. Pelo jeito, o público brasileiro gostou bastante dos caras, então esperem o retorno deles em breve.


Em seguida, por volta das 21:10h o Cynic entrou no palco.


Liderado pelo virtuoso “Paul Masvidal” que assumiu as guitarras solos no álbum “Human” do Death, o Cynic marcou seu retorno ao Brasil pela segunda vez. Todavia, essa foi a primeira vez que vi os caras ao vivo. Confesso que a ansiedade já não cabia dentro de mim, porque o Cynic é uma banda que eu curto desde moleque e eu perdi a oportunidade de vê-los da última vez com o Beyond Creation.



Após uma faixa intro breve, o Cynic já chegou com o clássico “Integral Birth”, do meu álbum favorito “Traced in Air”. Neste momento, já deu pra notar uma melhora substancial na mixagem do som ao vivo, comparado à banda anterior. É óbvio que não podemos ser levianos e desconsiderar que o som do Cynic é mais fácil de mixar, por ser um som bem mais “bonitinho”, mas mesmo assim foi legal notar a melhora.


Depois, veio Veil of Maya (Veil....Veio.......) do “Focus”, que é um arregaço por si só e Evolutionary Sleeper em sequência, que foi o ponto alto do show para mim. Realmente, ouvir essa música ao vivo é uma experiência extra-corpórea.


Um destaque em particular para o baterista “Jake Wehn” que estava substituindo o falecido Sean Reinert nesta tour. O moleque tem apenas 22 anos e é um baterista impressionante, acompanhando boa parte das criações que o Sean fez em vida. E também é um pouco engraçado ver um rapaz tão novinho dividindo o palco com os titãs do prog americano (mas não deixou nada a desejar, viu).


Depois, tivemos a trinca “Celestial Voyage”, “Adam’s Murmur” e “The Space for This”, onde a proficiência técnica dos músicos é um espetáculo a parte. Não estou certo do nome do guitarrista que está em turnê com o Cynic, porque eles sempre mudam de turnê a turnê, mas foi realmente impressionante ver ele executando os solos do Tymon quase de forma idêntica aos do disco.


Depois, por algum motivo, o Paul Masvidal achou que seria uma boa ideia fazer um acústico solo no meio do show. Tocou Wheels Within Wheels e Last Flower do Radiohead. Realmente o ponto baixo do show. O setlist vinha trazendo uma energia insana, onde a banda estava entrosada e estava tudo saindo mil maravilhas. Péssima ideia, poderiam ter colocado outras duas músicas nesse espaço.


Enfim, após o delírio acústico de Paul Masvidal, a banda retorna para a terceira e última metade do show com a instrumental “Textures”, que esbanja musicalidade. Ver essa música depois das acústicas só mostrou como aquele momento foi dispensável e como a banda como um todo faz toda a diferença no Cynic.


No final, temos a trinca de “I’m but a Wave To...”, Uroboric Forms e o maior clássico da banda, maravilhosa “How Could I?”.


Encerrando do melhor jeito possível, o Cynic demonstrou que o Prog Death Americano está mais vivo que nunca e que valeu todos esses anos a espera para vê-los ao vivo. No geral, um show memorável, com o cuidado da seleção do repertório que agradou aos fãs dos clássicos, como eu. Uma noite memorável que honrou a memória de Sean Reinert e Sean Malone.


Parabéns ao Paul por ter encontrado músicos à altura para manter o legado deles vivo! Vida longa ao Cynic


Setlist

Imperial Triumphant

  • Lexington Delirium

  • Gomorrah Nouveaux

  • Devs est Machina

  • Transmission to Mercury

  • Chernobyl Blues

  • Hotel Sphinx

  • Industry of Misery

  • Swarming Opulence


Cynic

  • Sentiment

  • Integral Birth

  • Veil of Maya

  • Evolutionary Sleeper

  • The Unknown Guest

  • Celestial Voyage

  • Adam’s Murmur

  • The Space for This

  • Wheels Within Wheels

  • Last Flowers

  • Textures

  • I’m but a Wave to…

  • Uroboric Forms

  • How Could I



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