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Death Metal Masterclass em Belo Horizonte celebrando o legado de Chuck Schuldiner

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    Metal no Papel
  • há 1 dia
  • 4 min de leitura


Texto: Vitor Krohne

Fotos: Giovanna Toledo - @giovannatld


Para aqueles não familiarizados, Death to All não é uma banda comum, muito menos um tributo qualquer. É o mais próximo que você conseguirá chegar, atualmente, da convergência criativa do considerado pai do death metal, Chuck Schuldiner (Death). Integrado pelo baterista Gene Hoglan (Dark Angel, Old Man's Child, Testament, Devin Townsend, Strapping Young Lad, Fear Factory), baixista Steve DiGiorgio (Sadus, Control Denied, Sebastian Bach, Soen), guitarrista Bobby Koelble (Leviathan Project, The Jazz Professors) e vocalista/guitarrista Max Phelps (Cynic). Juntando as participações do baterista, baixista e guitarrista, temos contribuições para os lançamentos de estúdio Human (1991), Individual Thought Patterns (1993), Symbolic (1995) e demos de The Sound of Perseverance (1998).


O tempo chuvoso deu uma trégua em Belo Horizonte para o que seria um dos melhores displays de metal que já presenciei. Às 20hs em ponto o Mister Rock, que antes parecia um pouco vazio, estava com bom público para receber as primeiras notas de “Infernal Death”. A banda entrou no palco despojada, despretensiosa. DiGiorgio é um absoluto monstro no baixo. Estava no momento com uma versão de seus fretless de três cordas bem espaçadas. Por algum motivo, talvez óbvio, o “menos” abre espaço para “mais” e, neste instrumento, ele consegue aplicar um swing e feel inimagináveis no gênero. Não foi necessário esperar começar “Living Monstrosity” para a galera puxar um mosh frenético. O show seguiu abordando a segunda fase da banda com “Defensive Personalities”.


O carismático DiGiorgio é o porta-voz e tomou o microfone pra saudar o público pela primeira vez, agradeceu a presença de todos, fez um rápido briefing sobre o projeto e seu principal objetivo: celebrar o legado de Chuck. Também foi dito sobre a dinâmica da apresentação, vagamente separada em eras, que agora continuaria com a intro entoada por todos em “Lack of Comprehension”.



É um pouco injusto já não ter dedicado um pouco de texto aos outros membros, por exemplo, o novato Max Phelps. Lembrar vagamente Chuck é a menor de suas qualidades. Não se intimida em momento algum por estar cercado de lendas do metal extremo. Em seguida, tivemos “Altering the Future” e “Zombie Ritual”, com a volta do baixo de três cordas nesta última.


“Within the Mind” e, então, “The Philosopher” se mostrou uma das mais aclamadas pela plateia. Aqui teço meus elogios ao subestimado Bobby Koelble, extremamente técnico e versado na escola jazzística. O duelo/dueto desta última canção foi surreal, infinitamente superior ao arranjo de estúdio. Coube a “Spiritual Healing” encerrar a primeira parte do set.



Symbolic (1995) foi tocado na íntegra e em ordem. Max Phelps tirou de letra a transição vocal, demonstrando mais uma vez maturidade em todos os âmbitos musicais. Em “Zero Tolerance”, Gene Hoglan evidenciou porque é uma lenda das baquetas, não só como músico de estúdio, mas membro de formações clássicas de várias bandas consagradas.


O set seguia furioso com “Empty Words” até o breve respiro em “Sacred Serenity”. Após “1,000 Eyes” e “Without Judgement”, o baixista iniciou nova conversa descontraída com o público, relembrando outras passagens do projeto pelo Brasil e convocando todos para uma nova apresentação no futuro. Apesar da duração do show já ultrapassar a média do gênero, ninguém demonstrava cansaço, talvez pelo absurdo nível do espetáculo.


“Crystal Mountain” foi um dos pontos altos devido à popularidade e reação da galera, que moshou, e alguns presentes acabaram dançando de forma curiosa naqueles interlúdios de vibe gótica. A taxativa “Misanthrope” valorizou mais uma vez a precisão e endurance de Hoglan, já sem os Ray-bans. A execução de álbuns na íntegra traz uma sensação melancólica junto com a menos conhecida “Perennial Quest” e um fadeout perfeitamente executado com auxílio da faixa original do álbum, encerrando assim, o set dois.



O encore veio com sabor pontualmente amargo para mim, que esperava um inesperado trecho de “Deliverance”, do Opeth, executado na noite anterior em São Paulo e somente lá! Mas o tombo foi categoricamente superado com “Spirit Crusher”. Somente essa execução já vale o show. Eleva em muito a versão do álbum, com uma atmosfera indescritível. Destaque também para o simples, mas eficiente show de luzes.


O encerramento ficou a cabo de “Pull the Plug”, clássica e favorita da primeira fase. Não é que o moshpit chegou a ficar vazio em algum momento, mas agora explodia em intensidade brutal.



Um momento de descontração marcou os agradecimentos finais quando Hoglan percebeu uma baqueta presa na iluminação logo acima, interrompendo o discurso de DiGiorgio. Voltemos agora a uma das primeiras constatações desta resenha: a qualidade do espetáculo entregue. Não é exagero dizer que foi um dos melhores de todos os tempos. Puro “braço” e raw power. Chegaram e, em pouco mais de duas horas ficou claro porque são lendas do heavy metal. Jamais deixe de presenciar um show desses caras se tiver a mínima oportunidade. Isso é um conselho, aviso ou ameaça. Livre interpretação.


Setlist Death to All - Mister Rock, Belo Horizonte, 25/01/2026



Set 1: Clássicos

1. Infernal Death

2. Living Monstrosity

3. Defensive Personalities

4. Lack of Comprehension

5. Altering the Future

6. Zombie Ritual

7. Within the Mind

8. The Philosopher

9. Spiritual Healing


Set 2: Symbolic

10. Symbolic

11. Zero Tolerance

12. Empty Words

13. Sacred Serenity

14. 1,000 Eyes

15. Without Judgement

16. Crystal Mountain

17. Misanthrope

18. Perennial Quest


Encore

19. Spirit Crusher

20. Pull the Plug










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