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Stormsorrow equilibra técnica, melodia e agressividade em "The Blood Red Horizon"

  • Foto do escritor: Maicon Leite
    Maicon Leite
  • 13 de fev.
  • 3 min de leitura

Embora “The Blood Red Horizon” seja a estreia oficial do Stormsorrow, o álbum está longe de ser uma aventura de iniciantes. O trabalho é a materialização de ideias que o vocalista e guitarrista pernambucano Kahlil Souto vinha maturando há cerca de duas décadas, o que explica a consistência da produção para um "primeiro álbum". Originária de Goiânia, a banda entrega logo de cara um material que busca o equilíbrio entre a agressividade do Thrash e as harmonias do Death Metal Melódico, com pitadas de Metal tradicional e até mesmo de Power Metal, gerando um disco riquíssimo.

 

Para tirar esse conceito do papel e transformá-lo em uma trilogia — da qual este álbum é o capítulo inicial —, Kahlil cercou-se de nomes experientes da cena local. A formação se completa com Vicente Luiz, responsável pelas guitarras solo e também pela produção em estúdio, Yuri Passos no baixo e Arthur Albuquerque na bateria. Essa base técnica permitiu que o grupo pulasse a fase de experimentação crua, apresentando um som coeso que remete tanto à escola sueca de Death Metal quanto à uma pegada mais brasileira.

 

As colaborações em “The Blood Red Horizon” mostram que a banda não quis apenas estampar nomes conhecidos na capa, mas sim utilizar vozes que se encaixassem perfeitamente às composições. Kahlil já havia mencionado que escreveu as linhas vocais pensando nos convidados, e o resultado prático confirma essa intenção.

 

Na rápida faixa-título, Alexandre Grunheidt (Ancesttral) traz seu timbre característico, criando um contraponto interessante com a base melódica instrumental e os ótimos riffs. Já Lord Vlad (Malefactor) aparece em dois momentos importantes: "Hellgate Assembly" e no encerramento "The Storm Will Remember My Name". A interpretação dele adiciona uma pegada teatral fundamental para o clima mais épico que a banda propõe no fechamento do disco.

 

A velocidade aumenta em "Post-Truth Warfare", onde Mario Pastore usa sua técnica e alcance para acompanhar a variedade da música, enquanto “Rebellion Burns Within” traz momentos mais progressivos, com nuances de ritmos e destaque para os bumbos. "Darkest December" traz Victhor, do Victhorian, antigo colega de escola de Kahlil, que insere uma textura diferente, sem quebrar a unidade sonora do álbum.

 

A responsabilidade técnica de “The Blood Red Horizon” ficou "dentro de casa", mas o resultado passa longe do amadorismo. A produção, mixagem e masterização foram assinadas pelo guitarrista Vicente Luiz no Veritá Studios. Essa escolha garantiu que a identidade da banda fosse preservada: as guitarras têm o destaque necessário sem enterrar a cozinha, e a bateria soa pesada, evitando aquela artificialidade plástica comum em produções modernas de Metal extremo. Destaque absoluto para os riffs mais cavalgados à la Iced Earth despejados no decorrer do álbum.

 

No campo das letras, Kahlil apresenta o primeiro ato de uma trilogia. O conceito gira em torno da ideia do "horizonte vermelho de sangue" como um ponto de não retorno para a humanidade — uma metáfora para as consequências irreversíveis das ações humanas e o colapso civilizatório. As faixas exploram essa dualidade entre o caos externo e os conflitos internos, abordando temas como introspecção, dor e a busca por redenção em um cenário onde a esperança parece ter sido drenada.


Ouça o álbum no Spotify:

 

O saldo de “The Blood Red Horizon” é de uma estreia que chega bem direcionada e trabalhada. A banda conseguiu escapar da armadilha comum de muitas bandas novas de Melodic Death Metal, que frequentemente acabam soando como cópias pálidas da cena de Gotemburgo. Aqui, existe identidade própria e, o mais importante, composições que se destacam e empolgam.

 

O fato de ser o primeiro capítulo de uma trilogia aumenta a responsabilidade, mas o grupo segura a onda. O disco se sustenta sozinho e deixa o terreno pronto para o que vem a seguir. Se os próximos lançamentos mantiverem essa pegada, a banda tem tudo para se firmar como um nome obrigatório para quem acompanha o Melodic Death Metal no Brasil.


Assista ao lyric video de “Burning Skies”:

 


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