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Left to Die em SP- o legado de Death incendeia a Burning House com um ataque brutal de Death Metal

Foto do escritor: Filipe Moriarty
Filipe Moriarty
23 de set.
4 min de leitura

Atualizado: 30 de set.

Fotos: Leandro Cherutti

De "Infernal Death" a "Pull the Plug", o Left to Die mergulhou novamente na fase mais primitiva e influente do Death, entregando um repertório que transforma a história do gênero em uma experiência de palco sem anestesia


A força do Left to Die está diretamente ligada à importância histórica do material que executa. O grupo se concentra na fase inicial do Death, período em que Chuck Schuldiner ajudou a estabelecer os fundamentos de uma linguagem que influenciaria gerações de músicos extremos. repertório da noite percorreu principalmente Scream Bloody Gore (1987) e Leprosy (1988), dois discos fundamentais para compreender a evolução do Death Metal norte-americano. O primeiro é frequentemente apontado como um dos registros definidores do gênero, enquanto o segundo ampliou a abordagem musical e a consistência composicional da banda.


Além disso, a passagem do Left to Die pelo Brasil também foi marcada por uma mudança de última hora na formação. Formado por Matt Harvey, Rick Rozz, ex-Death e Massacre, Terry Butler, ex-Death, além de Obituary e Massacre e Gus Rios ex-Malevolent Creation. O grupo precisou mudar seu baterista na passagem pelo Brasil.


Gus Rios precisou retornar aos Estados Unidos para tratar um problema de visão, e a responsabilidade pelas baquetas nos shows brasileiros caiu sobre Vinicius Talamonte, baterista do Flageladör e diversas outras bandas do Underground. Em São Paulo, o músico encarou a missão de substituir Gus em um repertório que exige precisão, velocidade e familiaridade com a linguagem do Death.



O show do Left To Die foi construído sobre músicas que carregam o primórdios do Death Metal. E pra deixar isso obvio o show começou com "Infernal Death" e "Mutilation" do icônico Scream Bloody Gore. Logo veio "Leprosy" combinando peso, velocidade e uma construção impecável, a sensação de ver estas músicas sendo executadas por quem as executou quando criadas, é magico.


"Primitive Ways" veio em seguida, a faixa também faz parte do segundo álbum do Death, o Leprosy(1987), enquanto "Legion of Doom" toma o lugar, a faixa faz parte das demos pré Death, quando a banda se chamava Mantas. Essa combinação adiciona uma camada de respeito e conhecimento à apresentação. O setlist não se limita aos álbuns mais conhecidos: também recupera material ligado ao período embrionário do projeto, quando a identidade musical ainda estava em formação. A presença de "Death by Metal", igualmente relacionada ao Mantas, reforça essa perspectiva. A faixa remete ao estágio inicial da história da banda e à importância das primeiras gravações na construção de sua identidade.


O repertório funciona como uma viagem a um momento em que o Death Metal ainda estava sendo inventado em tempo real. "Scream Bloody Gore" entra como a sexta faixa da apresentação e integra um dos registros mais influentes da história do gênero. Horror e à violência são o mote principal do disco, sem massagem. A proposta direta, sem a preocupação de suavizar a experiência ou torná-la acessível a quem estivesse fora daquele circuito underground. Daí partimos para "Zombie Ritual", onde isso fica ainda mais evidente - neste momento o público já estava rouco. Faixa a faixa, o contingente abarrotado do Burning House cantava, urrava e se deliciava com o Death Metal ali executado ,a inclusão de "Zombie Ritual" no repertório do Left to Die carrega o espírito do Death em sua forma mais visceral, conectando a música extrema à tradição dos filmes de horror que influenciaram a cultura underground.


Logo depois da brutalidade de "Zombie Ritual", veio "Corpse Grinder" e "Left to Die" faixas que ampliaram a sequência central do show, mantendo a concentração em faixas que fazem parte do universo clássico do Death.


"Pull the Plug" é uma das faixas mais emblemáticas de Leprosy. A música apresenta uma abordagem lírica diferente de parte do material mais voltado ao horror explícito, explorando a perspectiva de uma pessoa em estado terminal e o desejo de interromper o prolongamento de sua vida. Mas isso nada refletia o êxtase do publico ali presente, todos queria que o show fosse maior, mais alto e ainda mais brutal - afinal o Death é uma das bandas mais cultuadas e veneradas do estilo. Sem discussões.


Encerrando com chave de ouro, tivemos a ilustre "Evil Dead", que completou o encore, com toda a força dos riffs e brutalidade da bateria de Vinicius Talamonte, que ajudou a construir o cenário perfeito para uma noite verdadeiramente histórica pro underground e para a memória do headbanger paulistano.


A apresentação na Burning House foi marcada por dedicação e respeito ao Metal extremo. O Left to Die apesar de não ser o Death, cumpre e respeita seu legado. E é pra isso que nós estamos aqui, dedicados a brutalidade e veracidade!A conexão entre passado e presente. O material permanece reconhecível, influente e capaz de mobilizar o público, enquanto o projeto mantém viva uma parte essencial da história do Death Metal.


Para quem acompanha o gênero, a experiência oferece uma oportunidade de revisitar as origens de uma linguagem musical que continua influenciando bandas, músicos e ouvintes em todo o mundo.


Setlist

Infernal Death

Mutilation

Leprosy

Primitive Ways

Legion of Doom

Scream Bloody Gore

Death by Metal

Corpse Grinder

Left to Die

Zombie Ritual


ENCORE:

Pull the Plug

Evil Dead



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