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Iron Maiden em São Paulo: Uma celebração de 50 anos de história, nostalgia e heavy metal

Foto do escritor: Metal no Papel
Metal no Papel
há 1 dia
6 min de leitura

Atualizado: há 27 minutos

Texto por Maria Correia - @maria_correiamac

Crédito das fotos: Anderson Hildebrando - @andersonh_fotografia (Metal no Papel)

Com a Run For Your Lives World Tour, a Donzela de Ferro reuniu diferentes gerações no Nubank Parque, em uma noite marcada por clássicos, grandes performances e uma conexão que atravessa décadas

O retorno do Iron Maiden ao Brasil em outubro de 2026 trouxe um significado especial para os fãs brasileiros. Celebrando cinco décadas de uma das trajetórias mais importantes da história do heavy metal, a banda britânica desembarcou no país com a Run For Your Lives World Tour, uma turnê comemorativa que revisita momentos fundamentais de sua discografia, especialmente os primeiros anos de carreira.


A passagem brasileira contou com três apresentações: duas em São Paulo, nos dias 25 e 27 de outubro, no Nubank Parque, e uma em Curitiba, no dia 28, na Arena da Baixada. A apresentação da terça-feira, 27 de outubro, foi uma data extra anunciada após os ingressos para o primeiro show paulistano, realizado no domingo, se esgotarem rapidamente.


A procura do público confirmou mais uma vez a dimensão da relação entre o Iron Maiden e seus admiradores no país.

A turnê também marcou uma nova etapa na formação da banda. Após a aposentadoria de Nicko McBrain das atividades de turnê, anunciada em dezembro de 2024, o posto de baterista passou a ser ocupado por Simon Dawson, músico que já havia trabalhado com Steve Harris no British Lion. A apresentação em São Paulo representou o segundo show de Dawson em solo brasileiro com a Donzela de Ferro, trazendo também a oportunidade de observar a dinâmica dessa nova formação ao vivo.


Fundado em Londres, em 1975, pelo baixista Steve Harris, o Iron Maiden construiu uma identidade musical e visual própria, tornando-se uma referência mundial do heavy metal. Com álbuns fundamentais, composições que atravessaram gerações e um legado que ultrapassa o universo musical, a banda consolidou uma trajetória que continua conquistando novos admiradores sem perder a conexão com aqueles que acompanham sua história desde os primeiros discos.


E foi justamente essa capacidade de conectar diferentes gerações que ficou evidente na apresentação paulistana. Entre fãs que acompanham a banda há décadas e jovens que estão descobrindo agora a dimensão de seu repertório, o Iron Maiden mostrou que cinco décadas de história não representam apenas um legado a ser celebrado, mas uma paixão que permanece em movimento.


Alter Bridge: Uma abertura à altura da ocasião

Antes da aguardada entrada da Donzela de Ferro, o público acompanhou a apresentação do norte-americano Alter Bridge, responsável pela abertura dos três shows brasileiros. O grupo esteve presente nas duas datas de São Paulo e também na apresentação de Curitiba, no dia seguinte.



Com uma performance consistente e uma execução impecável, a banda entregou um repertório que percorreu diferentes momentos de sua discografia, preparando o público para a sequência da noite.


Liderado pelo vocalista e guitarrista Myles Kennedy, ao lado de Mark Tremonti (guitarra e vocais), Brian Marshall (baixo) e Scott Phillips (bateria), o Alter Bridge demonstrou segurança e entrosamento. A combinação entre riffs pesados, passagens melódicas e refrões marcantes evidenciou a identidade construída pelo grupo ao longo de sua carreira.


O repertório começou com “Silent Divide”, seguida por “Addicted to Pain” e “Cry of Achilles”. A sequência manteve a intensidade com “Fortress” e “Ghost of Days Gone By”, antes de chegar a momentos especialmente aguardados pelos fãs, como “Metalingus” e “Blackbird”. “Rise Today” encerrou a apresentação, deixando uma boa impressão e confirmando a qualidade do grupo também nos grandes palcos.


Setlist – Alter Bridge

  1. Silent Divide

  2. Addicted to Pain

  3. Cry of Achilles

  4. Fortress

  5. Ghost of Days Gone By

  6. Metalingus

  7. Blackbird

  8. Rise Today


Iron Maiden: Cinco décadas de história em uma noite de nostalgia

A expectativa pela entrada do Iron Maiden era evidente. Afinal, não se tratava apenas de mais uma apresentação da banda em São Paulo, mas de um espetáculo concebido para celebrar cinco décadas de uma trajetória que ajudou a moldar o heavy metal mundial.



Quando os músicos finalmente ocuparam o palco, a conexão com a plateia se estabeleceu rapidamente. A formação demonstrou entrosamento, com cada integrante contribuindo para a construção de uma apresentação que valorizou tanto a força coletiva quanto as características individuais dos músicos.


À frente da banda, Bruce Dickinson mostrou por que continua sendo um dos vocalistas mais emblemáticos do heavy metal. Sua performance vocal chamou atenção pela potência, especialmente nos agudos, executados com intensidade e presença. Além do desempenho musical, Dickinson manteve uma relação próxima com a plateia, conversando com o público em diferentes momentos, demonstrando carinho, disposição e gratidão pela recepção dos fãs brasileiros.


Essa comunicação ajudou a tornar a apresentação ainda mais envolvente. Não era apenas um vocalista conduzindo um espetáculo de grandes proporções, mas um artista que demonstrava reconhecer a importância daquela relação construída ao longo de tantos anos.


Na parte instrumental, Steve Harris mais uma vez se mostrou uma presença fundamental. Com seu baixo característico e sua postura incansável, o músico manteve a força e a identidade rítmica que são marcas registradas do Iron Maiden. Um dos aspectos que mais chamaram atenção foi sua interação com Dave Murray. Os dois foram vistos frequentemente próximos, compartilhando momentos no palco e evidenciando uma conexão musical que se refletia na execução das composições.



A entrada de Simon Dawson também despertava curiosidade. Em seu segundo compromisso brasileiro com a banda, o baterista demonstrou estar bem integrado à formação, ocupando seu espaço com segurança e contribuindo para a dinâmica do conjunto. A interação com Steve Harris e os demais músicos reforçou a impressão de uma banda conectada, mesmo diante de uma mudança recente em sua formação.


Um repertório que atravessa gerações

A escolha das músicas foi um dos grandes acertos da apresentação. A proposta da Run For Your Lives World Tour é revisitar diferentes capítulos da história do Iron Maiden, e o repertório conseguiu transformar essa viagem musical em uma experiência de nostalgia e celebração.


A abertura com "Murders in the Rue Morgue", “Wrathchild”, “Killers” e “Phantom of the Opera” trouxe ao palco a energia dos primeiros anos da banda. Na sequência, “The Number of the Beast” estabeleceu um dos momentos mais aguardados, seguido por “Infinite Dreams”, “Powerslave” e “2 Minutes to Midnight”.


A longa e monumental “Rime of the Ancient Mariner” deu continuidade à apresentação, seguida por clássicos como “Run to the Hills”, “Seventh Son of a Seventh Son”, “The Trooper” e “Hallowed Be Thy Name”. Já “Iron Maiden” encerrou o repertório principal, preparando o caminho para o bis.



Para quem acompanha a banda desde os primeiros contatos com o rock e o heavy metal, ouvir essas composições ao vivo representou muito mais do que reconhecer grandes clássicos. Foi uma oportunidade de revisitar momentos pessoais, recordar a descoberta de discos e músicas que ajudaram a construir uma identidade musical e, principalmente, cantar junto com milhares de pessoas que compartilham a mesma paixão.


No público, essa conexão era visível. Fãs veteranos, com décadas de acompanhamento da banda e inúmeras apresentações na memória, dividiam espaço com adolescentes e crianças que cantavam os refrões e demonstravam entusiasmo diante dos clássicos. Uma imagem que reforça a capacidade do Iron Maiden de permanecer relevante e conquistar novas gerações.


A produção visual como parte do espetáculo

Outro destaque da apresentação foi toda a construção visual do palco. A ornamentação, os telões e as imagens exibidas durante as músicas funcionaram como elementos fundamentais para ampliar a experiência do público.


Cada composição parecia ganhar uma dimensão própria por meio dos recursos visuais, que acompanhavam suas narrativas e ajudavam a criar uma atmosfera ainda mais imersiva. Essa integração entre música, cenografia e imagens tornou o espetáculo mais harmônico e reforçou uma das características mais reconhecidas das apresentações do Iron Maiden: a capacidade de transformar suas composições em verdadeiras experiências audiovisuais.



Não se tratava apenas de acompanhar uma banda executando suas músicas, mas de mergulhar no universo construído ao longo de cinco décadas, com referências, personagens e histórias que fazem parte da identidade da Donzela de Ferro.


Um encerramento para ficar na memória

O bis trouxe mais três momentos aguardados: “Aces High”, “Fear of the Dark” e “Wasted Years”. Esta última encerrou a apresentação de maneira especialmente emocionante, deixando aquela sensação de que, apesar de toda a grandiosidade do espetáculo, o que realmente permanece são as músicas e as histórias que construímos ao redor delas.


O Iron Maiden não entregou apenas uma retrospectiva de sua carreira. Proporcionou um encontro entre passado e presente, entre quem acompanha a banda desde a adolescência e quem está descobrindo agora a dimensão de seu legado.


Para mim, estar presente naquela noite como repórter e, ao mesmo tempo, como fã, tornou a experiência ainda mais significativa. Houve momentos em que a cobertura deu lugar à emoção de simplesmente cantar, acompanhar cada música e me reconectar com uma banda que faz parte da minha história com o rock e o heavy metal. Obrigado, Maiden



Existem bandas que fazem parte da história do heavy metal, mas existem também aquelas que ajudam a construir a nossa própria história como fãs. O Iron Maiden certamente pertence a essa segunda categoria.


Ao final, ficou a certeza de que a música tem essa capacidade extraordinária de atravessar o tempo, aproximar gerações e manter vivas experiências que continuam nos acompanhando muito depois que as luzes do palco se apagam.


Cinquenta anos depois, a Donzela de Ferro continua fazendo história. E nós seguimos fazendo parte dela. Up the Irons!


Setlist – Iron Maiden

  1. Murders in the Rue Morgue

  2. Wrathchild

  3. Killers

  4. Phantom of the Opera

  5. The Number of the Beast

  6. Infinite Dreams

  7. Powerslave

  8. 2 Minutes to Midnight

  9. Rime of the Ancient Mariner

  10. Run to the Hills

  11. Seventh Son of a Seventh Son

  12. The Trooper

  13. Hallowed Be Thy Name

  14. Iron Maiden


Encore (bis)

  1. Aces High

  2. Fear of the Dark

  3. Wasted Years




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