Entrevista Roy Khan: "Adoro esse espírito brasileiro, vocês têm entusiasmo e devoção"
- Maria Correia

- há 4 dias
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Vocalista norueguês retorna ao Brasil com show no Bangers Open Air 2026 e relembra momentos importantes de sua carreira

Crédito da foto: Anderson Hildebrando - @andersonh_fotografiaO vocalista norueguês Roy Khan está de volta ao radar dos fãs brasileiros. O cantor, conhecido mundialmente por sua passagem marcante pelo Kamelot, retorna ao país em abril para uma aguardada apresentação no Bangers Open Air 2026, em São Paulo.
Em entrevista ao Metal no Papel, Roy Khan fala sobre a expectativa de reencontrar o público brasileiro, conhecido por sua intensidade e paixão pelo metal, além de comentar sobre a preparação para o show no festival. O cantor também relembra momentos importantes de sua carreira, o legado das músicas que marcaram sua trajetória e a conexão especial que mantém com os fãs da América Latina.
A participação no Bangers Open Air é esperada com muitas expectativa, reunindo fãs de diferentes gerações que acompanharam sua carreira ao longo das últimas décadas. O Bangers Open Air 2026 acontece nos dias 25 e 26 de abril, no Memorial da América Latina, em São Paulo. Os ingressos já estão à venda no site do Clube do Ingresso.
Confira a entrevista na íntegra:
Sua voz marcou uma geração de fãs de metal progressivo e power metal. Quando você olha para sua trajetória, quais momentos considera mais decisivos para sua carreira?
Ah, bem, antes de mais nada, obrigado. É um grande elogio. E quais momentos? Não sei, quer dizer, um momento que definitivamente… Foi quando fizemos o Conception. A primeira vez que gravamos um álbum em estúdio. Isso foi muito importante. Houve muitos momentos importantes ao longo da minha trajetória até o auge da minha carreira, mas conseguir um contrato com uma gravadora foi, claro, algo ótimo. Primeiro show ao vivo no exterior. Tínhamos feito uns 3 ou 4 shows antes de sermos jogados na frente de umas 2.000 ou 3.000 pessoas.
Então, claro, teve todos aqueles momentos de conto de fadas, tipo ir para os EUA pela primeira vez. Entrar para a banda e compor músicas com o Thomas [Youngblood, guitarrista fundador do Kamelot] foi um grande passo à frente para mim, e cada álbum com o Kamelot foi como um enorme passo adiante. Foi uma jornada muito emocionante. E então, teve meu colapso em 2010 e 2011, onde, você sabe... Você poderia, claro, argumentar se isso foi, quer dizer, não é necessariamente algo positivo para as pessoas, já que eu tive que sair do Kamelot, mas, claro, na minha carreira, foi um momento importante. E também voltar. Cada momento é, estou tentando fazer com que cada momento seja importante.
Ao longo dos anos, você participou de projetos muito diferentes musicalmente. Como você enxerga a evolução da sua identidade artística desde o início da carreira até hoje?
Bem, é meio difícil... Com certeza, sou menos exclusivo do que era naquela época, porque raramente fazia participações especiais, enquanto hoje em dia tenho estado mais disposto a fazer mais disso. Vejo essas pessoas colaborando e tendo participações em suas músicas ou álbuns, e vejo como a sinergia funciona hoje em dia com as redes sociais e tudo mais, é um tipo diferente... É um ambiente diferente para se navegar. Mas, além disso, acho que me importo um pouco menos. Sou um pouco menos pretensioso do que era naquela época.
Sua interpretação sempre teve um lado muito emocional e teatral. Como funciona seu processo de composição e interpretação ao trabalhar em novas músicas?
Quando trabalho em músicas novas, sempre começo com a música em si, os instrumentos, e depois crio uma linha vocal. A linha vocal que eu gravo também... Recebo instruções sobre que tipo de palavras. Claro, às vezes não consigo fazer algo muito parecido. Preciso, sabe, porque não é inglês real o que eu uso na primeira vez que faço uma demo. A partir dessas palavras, depende totalmente do que é, mas às vezes tenho visões de como eu faria isso ao vivo ou em um vídeo. Mas não é algo que eu tenha muita consciência durante o processo de composição. E meu estilo de cantar também não é algo que...Sabe, o melhor momento para mim é quando estou no palco e meus pensamentos simplesmente desaparecem. Tipo, quando eu não penso em nada, só quero estar no momento, e isso, para mim, é o nível mais alto de felicidade, quando eu consigo simplesmente desaparecer na música e ser um com a música, um com a multidão, isso é felicidade.
Você está trabalhando em seu primeiro álbum solo, um projeto anunciado no final de 2024 que marca um novo capítulo criativo na sua carreira. O que os fãs podem esperar desse material em termos de sonoridade e conceito, e como esse processo de criação tem refletido o momento atual da sua trajetória artística?
Bem, o conceito ainda não está realmente definido. Também não tenho certeza se haverá um conceito em si, mas pode haver algum tipo de tema abrangente, mas essas coisas ainda não estão definidas. Musicalmente, acho que será algum tipo de… Será difícil não relacioná-lo de alguma forma com Conception ou Kamelot, já que eu tenho sido uma força criativa importante em ambas as bandas. Ainda sou, com o Conception, onde estamos trabalhando em paralelo agora com meu álbum solo e o novo álbum do Conception, embora eles sejam lançados em momentos diferentes…
Você retornará ao Brasil para se apresentar no Bangers Open Air 2026. Quais são suas expectativas para esse encontro com os fãs brasileiros em um festival tão importante do metal?
Bem, antes de mais nada, vai ser super emocionante para mim, porque é a primeira vez que toco em um festival no Brasil. Vai ser ao ar livre, vai ser incrível, eu estou super animado para poder tocar para pessoas novas, porque obviamente vai ter muita gente que não está lá para me ver. E eu adoro isso, adoro esse espírito brasileiro, vocês gostam de cantar, e têm tanto entusiasmo e devoção na plateia. Eu espero ver um pouco disso no Bangers Open Air, e sim, estou ansioso.
Festivais como o Bangers Open Air costumam reunir diferentes gerações de fãs. Você pretende preparar algo especial no setlist para essa apresentação?
Bem, haverá músicas que eu não toquei em julho passado. Algumas pessoas têm me perguntado sobre o material novo. Não tenho certeza se estaremos prontos para isso. Quer dizer, vamos sair para os ensaios e a turnê agora em menos de um mês. Então, acho que isso não vai acontecer, mas haverá músicas diferentes das que toquei em julho, e algumas delas serão as mesmas.
Roy, muito obrigada! Você pode deixar uma mensagem aos seus fãs brasileiros?
Muito obrigada a todos no Brasil que têm me acompanhado. Eu realmente quero muito ver todos vocês no Bangers Open Air Festival no dia 26 de abril. Vejo vocês lá!






