top of page

A metamorfose completa do Lost Society com “Hell Is a State of Mind”

  • Foto do escritor: Maicon Leite
    Maicon Leite
  • há 3 dias
  • 2 min de leitura

Poucas bandas na cena do Metal contemporâneo tiveram a audácia de promover uma guinada sonora tão drástica quanto o LOST SOCIETY. Quando o quarteto finlandês surgiu, a proposta era a mais direta possível: um Thrashzão ríspido, veloz e sem freios. Álbuns como “Fast Loud Death” (2013) e “Terror Hungry” (2014) eram pura agressividade oitentista, marcando o som de jovens prestando um tributo impecável à Bay Area e afins.

 

No entanto, muita coisa mudou no ponto de vista musical de Samy Elbanna e seus companheiros. Com a chegada de “Hell Is a State of Mind”, o grupo não apenas sacramenta o distanciamento de suas raízes puramente Thrash, mas atinge o ápice técnico e composicional de sua nova identidade. É uma mudança e tanto em tão pouco tempo.

 

A semente dessa mutação estrutural foi plantada em “Braindead” (2016). Naquele momento, a banda começou a tirar o pé do acelerador, adicionando grooves e os primeiros elementos modernos à sua fórmula. O que se viu nos lançamentos seguintes, “No Absolution” (2020) e “If the Sky Came Down” (2022), foi o aprofundamento radical dessa metamorfose. O LOST SOCIETY passou a incorporar fortes influências do Metal moderno, refrãos altamente melódicos, vocais limpos e uma produção encorpada. A mudança foi tão profunda que, para os desavisados, soava como uma banda completamente diferente daquela que estreou anos antes. Para aqueles que curtem a pegada old school dos dois primeiros álbuns, foi um baque.

 

“Hell Is a State of Mind” é a coroação definitiva desse processo de transformação. Se os discos mais recentes serviram como campo de testes para moldar essa nova roupagem, o novo disco mostra uma engrenagem perfeitamente calibrada. Faixas como "Blood Diamond" expõem essa ambição, introduzindo arranjos sofisticados, que dão suporte a riffs pesados, provando que a agressividade não depende apenas de andamentos acelerados. Em “Synthethic”, há ótimas linhas de guitarra, que evoluem para uma sonoridade variando entre o moderno e o extremo.

 

A performance de Elbanna como vocalista é um dos pilares dessa nova fase. Ele expandiu sua técnica, criando linhas vocais que transitam com naturalidade por diferentes estilos. A produção, a cargo de Joonas Parkkonen, garante que cada detalhe, dos arranjos mais atmosféricos ao grave maciço da cozinha de Mirko Lehtinen (baixo) e Tapani Fagerström (bateria), tenha a devida clareza.

 

O trabalho de Arttu Lesonen nas guitarras continua preciso, mas sua técnica agora trabalha a serviço da composição, priorizando o clima e os riffs marcantes em vez da velocidade ininterrupta. Liricamente, o disco carrega uma aura conceitual pesada, tratando o inferno não como um local físico, mas como uma batalha mental e psicológica.


Ouça:

 

“Hell Is a State of Mind” prova que as mudanças beneficiaram o LOST SOCIETY. Confesso que sempre preferi a fase Thrash do grupo, mas ao abandonar a sonoridade daquela fase, o grupo deixou de ser apenas um nome do "revival Thrash" para criar sua própria personalidade. É um disco que justifica toda a trajetória de reinvenção do quarteto, e que agradará quem curte uma sonoridade moderna e arrojada.

 


As opiniões expressas nesse site são de responsabilidade de seus autores e não expressam necessariamente a opinião de seus editores.

Site criado por JP Carvalho da JPGraphix, para Metal No Papel 2017 / 2020 - Todos os direitos reservados.

Fale conosco:   mnp.metalnopapel@gmail.com

bottom of page